Três dias e o vento O quente do ombro... Elder Magalhães
Três dias e o vento
O quente do ombro que acolhia,
com sopro quente e rápido,
parecia eternidade.
Curtas respirações,
com a promessa de ainda dormir,
esticavam o tempo.
O morno imperou na minha redoma
quando me deixei cair naquele canto ajeitado,
com cheiro de um cítrico frescor.
Dois, três dias passaram.
O morno não os atravessou.
Com o fim da chuva,
nuvens e frio
pairaram sobre o que ainda restava do abrigo.
O ombro, o sopro e o canto
eram só o que o corpo conseguiu guardar
antes de o tempo seguir.
