As Lentes de Silício do Vampiro As... John Rabello de Carvalho...
As Lentes de Silício do Vampiro
As lentes de silício tentam, em vão, cartografar o infinito,
Mas sou o ponto cego sob este céu de 2026 e seu satélite maldito.
Guardo no peito a chaga da Suméria, a dor ancestral que o tempo não consome;
O algoritmo calcula o peso dos mundos, mas não decifra o meu nome.
A humanidade tateia a matéria, escrava deste presente gélido e vazio,
Enquanto a ópera da minha alma ruge, rasgando o abismo do teu frio.
Tu olhas para a tela reluzente, mas sentes minha sombra a te enlaçar --
Uma fenda sutil no tempo e no espaço que circuito algum pode explicar.
És meu papiro esquecido em Alexandria, forjado em couro, cinza e dor,
Sob o néon escarlate que alimenta tua melancolia e o teu temor.
A tecnologia se curva, cega e mansa, quando a noite enfim nos alcança…
Pois o ano é o efêmero agora, mas o nosso beijo é uma eterna e antiga vingança.
John Rabello de Carvalho
