A gente acha que a despedida é o choro... Valdir Enéas Mororó Junior
A gente acha que a despedida é o choro no portão,
ou o silêncio pesado que rasga o coração.
Mas o último olhar acontece no meio do dia,
fantasiado de rotina, de pressa, de ironia.
Ninguém avisa que o "até logo" virou o fim,
que o universo recolheu o tapete do jardim.
E o mistério mais cruel que ninguém nunca contou,
é o sumiço do arquivo que o abraço guardou.
Aquela piada boba que só vocês entendiam,
os códigos secretos que os olhos traduziam...
Quando aquela pessoa cruza a linha do nunca mais,
esses pequenos mundos se tornam digitais:
existem na memória, mas não têm onde pousar,
viram línguas extintas que ninguém sabe falar.
O adeus definitivo não é só perder alguém,
é ver morrer o único espelho que te conhecia bem.
Você continua vivo, caminhando na calçada,
mas com uma gaveta interna trancada e deserta,
onde a chave foi embora na última piscada.
