Nos Saudosos Tempos em que muitos... Alessandro Teodoro

Nos Saudosos Tempos em que muitos Moleques queriam ser Homens, não havia tantos Homens fazendo papel de Moleques. Havia uma época em que crescer não significava... Frase de Alessandro Teodoro.

Nos Saudosos Tempos em que muitos Moleques queriam ser Homens, não havia tantos Homens fazendo papel de Moleques.

Havia uma época em que crescer não significava apenas ganhar altura, força ou idade.

Significava, acima de tudo, amadurecer.

Os meninos sonhavam em ser homens porque enxergavam nessa condição algo que ia muito além da aparência: viam responsabilidade, coragem, palavra empenhada e respeito.

Naqueles tempos, ser homem era aprender, desde cedo, que a vida não seria feita apenas de vontades, mas também de deveres.

Era entender que nem tudo o que se deseja se pode ter, que nem toda batalha merece ser travada e que nem toda razão precisa ser imposta.

Era descobrir que a verdadeira força não está em intimidar os outros, mas em dominar a si mesmo.

Hoje, porém, parece que os papéis se inverteram.

Enquanto muitos jovens lutam para conquistar maturidade, há homens que, mesmo com os cabelos grisalhos e as rugas do tempo, continuam reféns dos próprios impulsos.

Confundem liberdade com irresponsabilidade, sinceridade com grosseria, autoridade com autoritarismo e masculinidade com a necessidade constante de provar alguma coisa a alguém.

Há quem tenha idade para aconselhar, mas comportamento de quem ainda precisa ser educado.

Há quem exija respeito, mas não saiba oferecê-lo.

Há quem cobre lealdade, mas não consiga ser fiel à própria palavra.

E há, sobretudo, quem tenha aprendido a envelhecer sem nunca ter aprendido a amadurecer.

Porque o tempo, por si só, não transforma ninguém em homem.

O tempo apenas envelhece o corpo; são as escolhas, as renúncias, os erros reconhecidos e as responsabilidades assumidas que amadurecem o caráter.

Ser homem nunca foi não chorar, não sentir medo ou jamais demonstrar fraqueza.

Isso é apenas uma caricatura de masculinidade.

Ser homem é ter coragem para reconhecer os próprios erros, humildade para pedir perdão, firmeza para honrar compromissos e para fazer o que é certo, mesmo quando ninguém está olhando.

É compreender que a palavra tem valor, que a família não é um peso, que os sentimentos alheios não são brinquedos e que a confiança, uma vez destruída, nem sempre pode ser reconstruída.

É saber que maturidade não se anuncia aos quatro ventos: ela se revela nas atitudes, principalmente quando a vida nos contraria.

Talvez a grande saudade daqueles tempos não seja exatamente dos anos que se passaram, mas dos valores que parecem ter ficado pelo caminho.

Saudade de quando um aperto de mão selava um compromisso, de quando assumir um erro era sinal de honra e de quando um homem não precisava diminuir ninguém para demonstrar o próprio valor.

É claro que nem todo passado foi melhor, e nem todo homem de antigamente foi exemplo de virtude.

Mas há princípios que não deveriam envelhecer: respeito, responsabilidade, honestidade, lealdade e a capacidade de responder pelas próprias escolhas.

No fim das contas, a questão nunca foi simplesmente o que os meninos daquela época queriam ser, mas o que os homens deixaram de ser.

Porque a verdadeira tragédia não está em um moleque ainda não saber o que é ser homem.

Está em um homem já ter tido tempo suficiente para aprender e, ainda assim, escolher continuar agindo como um moleque mimado, incapaz de aceitar limites, reconhecer falhas ou assumir as consequências dos próprios atos.

A idade pode conceder anos, a vida pode oferecer experiências e o mundo pode atribuir títulos.

Mas Homem de Verdade não é aquele que apenas envelhece: é aquele que amadurece sem perder a humildade, fortalece o caráter sem endurecer o coração e entende que ser grande não é fazer o que quer, mas saber o que deve fazer.

Talvez seja hora de resgatar menos a nostalgia de um passado idealizado e recuperar mais a responsabilidade de construir homens melhores no presente.

Afinal, o mundo não precisa de homens que apenas pareçam fortes.

Precisa de homens que sejam confiáveis, íntegros e retos, e que honrem seus compromissos, que compreendam que a maturidade não é um privilégio da idade, mas uma conquista do caráter.