PASSEIO Nos finais das ensolaradas... Claudio Roberio Moura Luz
PASSEIO
Nos finais das ensolaradas tardes de uma década já bem distante, era comum ver o Padre da cidade passear em seu cavalo marchador pelas ruas do centro da cidade de Simplício Mendes.
Em uma destas tardes, o Augustão estava em seu bar a beber algumas cervejas. O clérigo, montado em seu cavalo de marcha, já tinha passado umas três vezes em frente ao estabelecimento do Augustão. Este e toda sua família nutriam uma boa amizade com o sacerdote, e o Augustão tinha muita intimidade com o religioso.
Na quarta passagem do padre, o Augustão foi para o meio da rua, atalhou o cavalo e exclamou:
— Padre, o senhor já andou demais no cavalo. Agora é a minha vez de andar.
O religioso notou a situação de embriaguez do Augustão e falou:
— Não, seu Augusto, o cavalo já está bastante cansado. Estou levando agora mesmo para a roça. Amanhã o senhor anda nele.
O Augustão, depois de alguma insistência, terminou concordando.
