As águas que brotam na primavera... Gleidston César
As águas que brotam na primavera
Escrevo-te de próprio punho.
Estamos na primavera; o inverno, na sua pressa, deu lugar às flores, ao cheiro bom e suave.
Neste mundo velho, onde as lembranças têm o seu próprio canto, sou conduzido pela justiça do presente a celebrar a verdade.
Aqueles que nos separam entoam um cântico triste: são desleais e deleitam-se no seu próprio engano.
Outrora, falámos que as águas que brotam na primavera são límpidas; as gaivotas reúnem-se ao teu redor para entoar melodias que só elas sabem cantar.
Assim também são os meus sentimentos pela tua vida: nutridos de lucidez, livres de qualquer mesquinhez.
As tardes aqui, no verão, são quentes e vibrantes, assim como o meu respeito pela tua vida.
Creio que há sempre tempo para expressar a verdade e esclarecer os factos.
Aqui, deste chão que me vê escrever, sou levado a não falar dos espinhos, das ausências nem do esquecimento, mas a registar o sentimento de afeto.
Risco todo o deslaço que os pérfidos celebram.
Digo e repito:
não há outro sentimento
senão o amor.
É com este mesmo espírito que, respeitosamente, te peço:
não te detenhas nos falsos dizeres que têm chegado aos meus ouvidos.
Antes, pelo contrário, mantenhamos este canal de diálogo em sigilo.
Por amor e respeito, escrevo-te:
este gesto é fraterno,
é de amor
e gratidão.
Mantenhamo-nos discretos; só assim estaremos protegidos da celebração dos pérfidos, porque eles anseiam pela discórdia enquanto santificam os seus pecados.
