⁠Quanto mais nos julgamos incapazes,... Alessandro Teodoro

⁠Quanto mais nos julgamos incapazes, mais representados nos sentimos pelos que ousam atravessar os abismos que tememos. Há uma estranha forma de admiração que n... Frase de Alessandro Teodoro.

⁠Quanto mais nos julgamos incapazes, mais representados nos sentimos pelos que ousam atravessar os abismos que tememos.


Há uma estranha forma de admiração que nasce não daquilo que somos capazes de fazer, mas daquilo que desistimos de tentar.


Quando alguém atravessa um limite que nos parece intransponível, é como se, por alguns instantes, aquela pessoa carregasse também os nossos sonhos interrompidos, as nossas vontades adormecidas e a coragem que deixamos pelo caminho.


Talvez por isso algumas figuras nos fascinem tanto.


Não porque sejam necessariamente melhores, mais fortes ou mais preparadas, mas porque ousaram caminhar justamente onde nós recuamos.


Elas transformam em movimento aquilo que, dentro de nós, permaneceu apenas como possibilidade.


O problema começa quando a admiração substitui a ação.


É muito confortável encontrar heróis para realizar aquilo que gostaríamos de realizar.


E é muito mais fácil aplaudir quem enfrenta o medo do que reconhecer o medo que nos impede de enfrentá-lo.


Podemos até transformar a coragem alheia em uma espécie de procuração para viver aquilo que não tivemos coragem de viver.


E, assim, passamos a confundir representação com realização.


Não há nada de errado em admirar quem atravessa abismos.


O perigo está em acreditar que, porque alguém ousou por nós, já não precisamos ousar por nós mesmos.


Cada pessoa carrega abismos particulares.


Alguns são feitos de medo.


Outros, de insegurança, conformismo, culpa ou da velha voz interior que insiste em repetir: “você não consegue”.


Mas talvez a maior descoberta da maturidade seja perceber que muitos dos abismos que nos aterrorizam não exigem que sejamos destemidos.


Exigem apenas que demos o primeiro passo, apesar do medo.


Porque coragem não é ausência de abismo.


É a decisão de não passar a vida inteira admirando, do outro lado, aqueles que tiveram a ousadia de atravessá-lo.