A DOUTRINA QUE NÃO PERTENCE AO... Marcelo Caetano Monteiro
A DOUTRINA QUE NÃO PERTENCE AO MENSAGEIRO
“Minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou.”
— Jesus, João 7:16.
Essa frase não foi criada por Allan Kardec. É uma declaração de Jesus registrada no Evangelho de João.
Mas existe nela uma reflexão profunda que nos conduz à compreensão do papel de Kardec.
O Codificador jamais deveria ser confundido com o autor absoluto da Doutrina Espírita.
Em O que é o Espiritismo, de 1859, Kardec define o Espiritismo como “uma ciência de observação e uma doutrina filosófica”, fundada no estudo das relações entre o mundo corporal e os Espíritos e nas consequências morais dessas relações.
E há algo ainda mais significativo: Kardec convida o leitor a comparar, examinar e utilizar a razão, em vez de simplesmente aceitar uma afirmação por autoridade.
Eis a grande questão:
Se Kardec não criou o Espiritismo para transformá-lo em propriedade pessoal, por que haveríamos de transformar seu nome em argumento que encerra toda investigação?
Respeitar Kardec não é colocá-lo acima da Doutrina.
É compreender o método pelo qual ele trabalhou.
Jesus ensinou sem reivindicar para si a origem da mensagem.
Kardec codificou sem reivindicar para si a criação da Doutrina.
E nós, espíritas, podemos aprender uma lição essencial:
não basta repetir nomes; é necessário estudar princípios.
Não basta possuir respostas; é necessário saber examiná-las.
Não basta dizer “Kardec disse”; é preciso compreender por que ele disse, em que contexto e sobre quais bases.
A fidelidade ao Codificador começa, talvez, quando deixamos de apenas venerar sua obra e passamos a estudá-la com a razão que ele próprio nos ensinou a utilizar.
A Doutrina não precisa de donos.
Precisa de estudiosos.
Fontes fidedignas:
Bíblia — Evangelho de João, 7:16.
Allan Kardec — O que é o Espiritismo?, 1859, Preâmbulo.
Allan Kardec — O Livro dos Espíritos, Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita.
KardecPedia — acervo digital das obras de Allan Kardec.
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