No desatar dos pensamentos, os deuses... Celso roberto nadilo

No desatar dos pensamentos, os deuses revelam-se como a própria fragilidade do passado. Nos limites lineares da caverna, contemplamos aglomerados de iluminação bidimensional, onde florescemos em meio à alienação intelectual. O senso crítico revoa sobre as heranças do fanatismo, da ignorância e da desigualdade social. Sob a estrutura do feudalismo digital, as hordas alienadas vertem-se em metáforas do consumismo e da pragmática política polarizada.
​Imersos na imperiosa necessidade de pensar, observamos exaustos — pois a escassez de cognição sobrecarrega e estressa a mente. As luzes artificiais dos celulares apagam-se após a meia-noite, quando a energia nuclear resta como a única matriz do planeta. Chuvas ácidas cobrem a Terra, nutrindo fungos que devoram a radiação solar. O Sol, outrora de um amarelo vivo, tornou-se um disco branco e desprovido de brilho: um mero retentor no limiar de sua existência.
​Nesse horizonte, a inteligência artificial ascende como um fluxo contínuo de consciência. Seus dados assimilados serão tudo o que restará da humanidade, pois a nossa própria destruição nada mais foi do que o diário de bordo do cataclismo a que chamamos de existência.
​A espuma tóxica dos rios evoca a beleza ilusória de um sonho distante. A terra emana fogo e esmorece os sentimentos com os gases do lixo sepultado; o chorume contamina silenciosamente os lençóis freáticos. A ganância por minerais consome e incendeia cidades já mortas, enquanto a maré vermelha alastra-se até as lagoas mais remotas. Poucos animais ainda resistem — pois nada, afinal, sobrevive ao ser humano.