Meu Querido Sobrinho, Passei a semana a... Nuno Alóvia de Almeida
Meu Querido Sobrinho,
Passei a semana a pensar em ti,
como quem guarda um encontro
antes mesmo de ele acontecer.
E quando chegou o dia,
fui trabalhar,
não porque quisesse estar longe,
mas porque, às vezes,
é preciso ocupar as mãos,
quando o coração não sabe,
onde pousar.
Fui trabalhar para me distrair,
mas levei-te comigo.
Há coisas que queremos
e não podemos viver ainda.
Há portas que o tempo mantém fechadas,
não por falta de vontade,
mas porque ainda não chegou,
a hora de as abrir.
Eu nunca soube pertencer a ninguém,
nem quis ser dono de ninguém.
Talvez seja essa a minha maior dificuldade:
amar sem possuir;
esperar sem prender,
ficar sem exigir.
E se o tempo passar,
se os dias se transformarem em anos,
e quando finalmente puderes escolher
o caminho que queres seguir,
...eu estarei aqui.
Não para cobrar a espera,
não para reclamar o tempo perdido,
nem para dizer que me devias alguma coisa.
Apenas para te dizer:
...eu esperei.
Porque antes não foi possível.
E há esperas que não são promessas,
são apenas uma forma silenciosa
de dizer a alguém:
quando puderes escolher por ti,
se ainda quiseres encontrar-me,
eu estarei aqui.
