Sou do mundo, mas sei para onde voltar.... Alexandre Sefardi

Sou do mundo, mas sei para onde voltar. Quando uma ideia ou um sentimento surge, quase sempre ajo na hora. Às vezes esse ímpeto é uma bússola silenciosa: me conduz a um lugar seguro antes que a razão consiga explicar. Outras vezes, descubro que não era intuição — era pressa, um gesto infantil disfarçado de verdade.
Viver assim é andar entre duas águas: a confiança no próprio pulso e a suspeita do próprio exagero. Nem todo impulso é sabedoria; nem toda pausa é medo. O aprendizado está em perceber, logo depois, o que veio do centro e o que veio do susto.
Então eu volto. Volto para mim, para o silêncio antes da resposta, para o lugar onde sentir não obriga agir. Sou do mundo, mas sei para onde voltar — e é nesse retorno que aprendo a diferença entre ser guiado pela intuição e ser arrastado pela criança que ainda quer tudo agora.