Alice no pais da ilusão No reflexo frio... LAURA DIAS DE SOUZA

Alice no pais da ilusão
No reflexo frio de uma agulha prateada,
Alice busca o caminho para o País das Maravilhas,
Aplica na veia uma ilusão dourada,
Em busca de uma paz que há muito não brilha.
Mas a casa da felicidade desaba no jardim,
E o teto de espelhos se quebra no fim.
O céu se fecha em nuvens escuras,
Chora o desgosto de quem vê a queda,
O rio engole os restos das loucuras,
Enquanto o tempo na mente se enreda.
"Ah, se meus pés andassem, como seria?"
Sua alma sussurra no frio do dia.
O Coelho Branco corre contra o cansaço,
E a "heroína" promete o tempo rebobinar,
Pedindo adrenalina a cada pedaço,
Tentando o próprio peito anestesiar.
Mas se o pé pisasse na realidade crua,
Tudo no quarto simplesmente adormeceria sob a lua Presa no galho incerto da vida e da morte,
A sorte abandonou o vestido azul de outrora,
O corpo convulsiona e o peito chora,
No canto escuro onde a dor mora.
A visão se distorce, o espelho se desfaz,
No país da overdose, Alice não encontra paz.