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" Direções Opostas "


Os nossos passos deixaram de rimar e os caminhos seguiram direções distintas, moldados por pensamentos e ideais que já não se cruzam.


Há uma quietude estranha em aceitar que certas presenças se tornam memórias e que a vida continua,
lá fora, em compassos diferentes.


Torço, com sinceridade e do fundo da alma, para que essa pessoa siga sua rota,
e encontre sua própria felicidade e viva em plenitude.


Mas o meu olhar,
que por tanto tempo tateou o horizonte alheio,
agora se recolhe e se volta para dentro.


Percebi que o fim de uma direção compartilhada é, no fundo, o convite para habitar a mim mesmo.


Não se trata de esvaziar o que foi,
mas de preencher os vazios com a minha própria companhia.


O amor que eu esperava encontrar em um abraço externo ou em um novo olhar começa, obrigatoriamente,
na forma como aprendo a me acolher e a me bastar.


Sigo o meu caminho não mais como quem busca uma metade, mas como quem constrói o seu próprio abrigo.


Se o destino me permitir encontrar um novo amor no futuro, que ele venha somar a uma casa que já está em ordem e inteira.


Por enquanto,
o meu maior compromisso é ser gentil com os meus silêncios, sarar as minhas margens e reencontrar sem pressa, o amor que mora em mim!