Outonarmo-nos Tu e eu outonarmo‑nos:... Joni Baltar
Outonarmo-nos
Tu e eu outonarmo‑nos:
desfolha lenta,
vento a passar entre o que fomos, silêncio a pousar no que fica.
E no fundo dos nossos olhos, um verão que insiste,
mesmo depois de cair.
Há um calor que se move devagar, tão leve
que parece horizonte.
E quando nos deixamos cair, o corpo torna‑se terra lisa: sente o que passa,
guarda o que fica.
E tu sentes o meu Alentejo no teu corpo como quem encosta o poente à pele.
