Em meio a tantas Feridas Abertas no... Alessandro Teodoro

Em meio a
tantas Feridas Abertas no mundo, até os Carinhos nos cobram mais Cuidado.
Há tempos em que um Abraço já não pode ser apenas abraço.
Precisa ser Abrigo.
Uma Palavra já não pode ser apenas palavra.
Precisa carregar Delicadeza.
E um gesto de afeto, por menor que seja ou pareça, pode significar muito para quem atravessa batalhas que não consegue contar a ninguém.
Vivemos cercados de dores visíveis e invisíveis.
Há quem sorria enquanto tenta juntar os próprios pedaços; quem diga “está tudo bem” apenas porque não encontrou palavras para explicar o que sente.
Por isso, talvez estejamos sendo chamados a reaprender a maneira de tocar a vida dos outros.
Cuidar também é saber quando falar e quando silenciar.
É não transformar a fragilidade alheia em julgamento.
É oferecer presença sem exigir explicações, escuta sem pressa e carinho sem cobranças.
Porque nem todo mundo precisa de conselhos.
Às vezes, precisa apenas de alguém que permaneça.
E talvez essa seja uma das formas mais bonitas de resistência em tempos tão espinhosos: continuar sendo gentil sem ser ingênuo, continuar oferecendo afeto sem ignorar as feridas, continuar acreditando que um pouco de ternura pode fazer a diferença.
No fim, todos — ou quase todos — carregamos alguma cicatriz.
Algumas estão à mostra; outras aprendemos a esconder tão bem que às vezes até nós esquecemos que elas existem.
Por isso, que nossos afetos tenham mãos cuidadosas.
Que nossas palavras saibam acolher.
Que nossa presença não pese sobre quem já carrega tanto.
Há um mundo ferido pedindo menos pressa, menos julgamento e mais humanidade.
E, talvez, cuidar do outro comece justamente quando entendemos que toda alma merece, no mínimo, ser tocada com delicadeza.
