No jardim onde todas as flores pareciam... Srta wrobel

No jardim onde todas as flores pareciam conhecer o seu lugar, havia uma Tulipa que gostava de olhar o céu e uma Rosa que tinha medo de deixar alguém se aproximar de seus espinhos.

Elas eram diferentes em quase tudo.

A Tulipa era leve, inquieta, dessas que dançam quando o vento sopra. A Rosa era intensa, perfumada e silenciosa, guardando dentro de si uma delicadeza que poucos conseguiam enxergar.

Foi numa manhã de primavera que se conheceram.

— Você sempre fica tão longe das outras flores — perguntou a Tulipa.

A Rosa sorriu.

— Talvez porque nem todo mundo saiba chegar perto sem machucar.

A Tulipa olhou para os espinhos e respondeu:

— Então eu não vou chegar correndo. Vou chegar devagar.

E foi assim que começou.

Primeiro vieram os olhares. Depois, as conversas ao nascer do sol. A Tulipa contava seus sonhos; a Rosa, seus medos. E, pouco a pouco, aquilo que parecia apenas amizade começou a ganhar outro perfume.

Um dia, a Tulipa perguntou:

— Você não tem medo de se apaixonar por alguém tão diferente de você?

A Rosa respondeu:

— Tenho. Mas tenho mais medo de passar pela vida sem descobrir até onde esse amor poderia florescer.

Naquele instante, o vento passou pelo jardim e espalhou pétalas pelo caminho.

A Tulipa se aproximou.

A Rosa não recuou.

E foi ali, entre pétalas, espinhos e promessas que ninguém ouviu, que duas flores descobriram uma coisa que o jardim inteiro ainda não sabia:

há amores que não precisam ser iguais para pertencerem um ao outro.

A Tulipa não perdeu sua leveza.

A Rosa não perdeu seus espinhos.

Elas apenas aprenderam a cuidar uma da outra exatamente como eram.

E, desde então, quando a primavera chegava, havia duas flores que nunca mais floresciam sozinhas.