Entre ladeiras e vielas, a realidade se... Dhelson Passos

Entre ladeiras e vielas, a realidade se revela crua, sem filtros e sem espaço para ilusões.


Uns cumprimentam com um sorriso no rosto e um aceno sincero; outros, com olhares acanhados ou ressabiados, carregam o peso invisível de quem aprendeu a desconfiar do mundo cedo demais.


E, como em qualquer lugar deste mundo, existem os que acolhem e os que fecham a cara para a nossa presença.
O bem e o mal caminham por toda parte.


Mas andar por ali e testemunhar pessoas vivendo bem e dentre tantas outras, em estado de vulnerabilidade, vivendo com pouco ou quase nada, é algo que aperta o peito e se entristece profundamente.


É preciso deixar claro, com todas as letras: morar na comunidade nunca foi, e nunca será, sinônimo de mau caminho.
O que existe na essência desse povo é uma dignidade gigante, a luta diária de quem resiste à falta de tudo, mas não perde a honra.


Ainda assim, é impossível dar cada um desses passos e não pensar no futuro: as crianças. O mundo é imenso, transbordando de possibilidades, e nenhum menino ou menina deveria ter o destino podado pela escassez ou pela falta de escolha.
Elas merecem crescer longe das armadilhas da vida, com o direito sagrado de estudar, prosperar, viver melhor e conquistar um horizonte infinitamente maior do que a dureza do ponto de partida.


Que cada criança tenha a chance real de ver além das encostas e escrever uma história de vitórias. Porque todo ser humano merece a oportunidade de brilhar.