Antes de Escolher o Caminho Estamos em... Peregrino Nino Carneiro
Antes de Escolher o Caminho
Estamos em pleno século XXI e, mais uma vez, às vésperas de uma eleição para deputados, senadores e presidente do Brasil.
Basta andar pelas ruas e pelas praças para perceber que a política já tomou conta de muitos espaços. São banners, placas, faixas, santinhos e tantos outros materiais espalhados por todos os lados, mostrando rostos e nomes de candidatos que querem conquistar o nosso voto.
Confesso que essa imagem muitas vezes me deixa pensativo. Enquanto vemos tanto dinheiro sendo gasto em campanhas políticas, ainda encontramos escolas e universidades públicas enfrentando dificuldades, hospitais e postos de saúde com problemas, pessoas esperando por atendimento e tantas outras necessidades básicas que continuam sem uma solução definitiva. Quando saímos dos grandes centros e chegamos às pequenas cidades do interior do Brasil, a situação muitas vezes fica ainda mais evidente. Estradas ruins, falta de saneamento básico, problemas de infraestrutura e comunidades que ainda esperam por aquilo que deveria ser um direito de todos.
E então chegam as eleições.
Chegam também as promessas. Promessas para melhorar a saúde, a educação, a segurança, o transporte, as estradas, o saneamento e praticamente tudo aquilo que o povo precisa. Algumas propostas podem ser sérias e possíveis de realizar, mas outras parecem nascer apenas porque alguém precisa conquistar votos. E, depois que a eleição termina, muitas dessas promessas acabam ficando pelo caminho.
Talvez o problema não esteja somente em quem promete. Talvez também esteja em nós, que muitas vezes acreditamos sem perguntar. Vemos uma fotografia bonita, ouvimos um discurso bem-preparado, recebemos uma promessa que toca exatamente na nossa necessidade e, antes de conhecer melhor aquele candidato, já estamos prontos para entregar o nosso voto.
Resolvi fazer uma experiência. Criei uma publicação como se eu fosse mais um candidato a deputado federal. Não tinha estrutura de campanha, não tinha grandes discursos e não tinha milhões de reais para gastar. Era apenas uma experiência para observar a reação das pessoas. O resultado me surpreendeu. Alguns amigos disseram que eu poderia contar com seus votos.
Aquilo me fez pensar bastante.
Se uma simples publicação pode despertar confiança suficiente para alguém dizer que votaria em mim, talvez nós, eleitores, precisemos refletir um pouco mais antes de escolher nossos candidatos. Afinal, estamos entregando a essas pessoas algo muito importante: a responsabilidade de representar a população e tomar decisões que podem afetar a vida de milhões de brasileiros.
Também percebo que muitas vezes deixamos de discutir ideias para defender pessoas. Existem aqueles que se identificam mais com a esquerda, outros com a direita e outros que não se sentem representados por nenhum desses lados. Isso faz parte da democracia. O problema começa quando deixamos de ouvir o outro simplesmente porque ele pensa diferente de nós.
Não precisamos transformar política em uma guerra.
Podemos discordar sem nos tornarmos inimigos. Podemos admirar um candidato e, mesmo assim, questionar suas propostas. Podemos votar em alguém e continuar cobrando aquilo que foi prometido. E podemos mudar de opinião quando descobrimos que estávamos errados. Afinal, mudar de ideia depois de conhecer novos fatos não é sinal de fraqueza. É sinal de que continuamos aprendendo.
Aprendi uma coisa caminhando: antes de escolher um caminho, precisamos saber para onde ele nos levará. Não adianta seguir uma placa simplesmente porque ela tem uma aparência bonita. É preciso conhecer a direção, observar o terreno, saber se existem obstáculos e, principalmente, perguntar se aquele realmente é o caminho que queremos percorrer.
Talvez devêssemos fazer o mesmo com nossos candidatos.
Antes de escolher um nome, deveríamos conhecer sua história, suas propostas, suas atitudes e aquilo que realmente pretende fazer. Não devemos entregar nosso voto apenas porque alguém é nosso amigo, porque pertence ao nosso partido, porque fala aquilo que queremos ouvir ou porque alguém nos pediu.
O voto é pequeno quando colocamos o papel ou apertamos os botões da urna, mas pode ser enorme nas consequências que produz.
Não acredito que conseguiremos mudar a política brasileira de um dia para o outro. Talvez sejam necessários muitos anos para que tenhamos uma população mais consciente, mais informada e menos dependente de promessas. Mas toda caminhada longa começa com um primeiro passo.
E talvez o primeiro passo seja justamente este: antes de escolher quem vai caminhar por nós, precisamos conhecer muito bem o caminho que essa pessoa pretende seguir.
Como peregrino, aprendi que não existe caminho sem responsabilidade. Cada passo é uma escolha. E, na vida pública, talvez seja exatamente assim.
Pense. Pesquise. Questione. Depois escolha.
Peregrino Nino Carneiro
