A Casa, a Montanha e as Asas Bati... Fatima Gomes Cardoso de...
A Casa, a Montanha e as Asas
Bati o tapete, arrumei o meu canto,
A rotina da casa se fez poesia.
Enquanto eu gravava, envolta em encanto,
Olhei pra montanha ao fim do meu dia.
A névoa descia serena e veloz,
Cobria o topo com um véu de algodão,
Como se o mundo guardasse nossa voz
Pra transformar a tarde em oração.
E no meio desse cenário abençoado,
Um visitante de penas surgiu,
Com peito amarelo e olhar apressado,
Vindo do alto que a névoa cobriu.
Eles entram sem medo, procurando por mim,
Voam no espaço do meu próprio lar,
Pois sabem que a casa é um belo jardim
Onde a alma é leve e pronta pra amar.
Se a chuva lá fora impede o banquete,
A mesa se põe em tom de louvor.
Nem a água que cai, nem o vento que mete
Desfaz essa laço de tanto valor.
Eu canto pro céu, pro Grande Criador,
E as asas se chegam pra me acompanhar,
Na brisa suave de um puro amor,
Onde homem e bicho aprendem a cantar.
Como pequena mulher da criação,
Zelo por tudo que o Pai me confiou:
A montanha de névoa, a limpa canção,
E o passarinho que hoje me visitou.
O que achou desta versão ampliada?
