Cuidado com o que você deixa para... Alessandro Teodoro

Cuidado com o que você deixa para amanhã; o amanhã tem a estranha mania de ser tarde demais.
A gente costuma tratar o tempo como se ele fosse uma espécie de cofre inesgotável, onde podemos guardar palavras, beijos e abraços, pedidos de perdão, declarações de amor e sonhos adiados.
Dizemos “depois eu faço”, “amanhã eu ligo”, “quando tiver tempo eu vou”, como se o amanhã fosse uma promessa assinada pela vida.
Mas definitivamente não é.
O amanhã é apenas uma possibilidade.
O único tempo que realmente nos pertence é este instante — imperfeito, apressado, às vezes confuso, mas ainda disponível.
Há palavras que perdem o sentido quando finalmente são ditas.
Há abraços que chegam tarde.
Há pessoas que esperamos encontrar novamente e descobrimos, quando já não podemos voltar atrás, que aquela era a última vez.
Talvez por isso a vida nos ensine, quase sempre pela ausência, que adiar também é uma escolha.
E algumas escolhas custam caro demais.
Não deixe para amanhã o carinho que pode ser oferecido hoje.
Não economize “eu te amo” por medo de parecer vulnerável.
Não adie o perdão que pode devolver paz ao coração.
Não espere a ocasião perfeita para viver aquilo que realmente importa — porque a vida muito raramente avisa quando uma ocasião é a última.
No fim, talvez o maior desperdício não seja perder tempo, mas desperdiçar as oportunidades que o tempo nos concedeu.
Porque o relógio não tem compromisso com os nossos planos.
E, às vezes, quando finalmente estamos prontos para fazer, dizer ou viver aquilo que adiamos por tanto tempo, descobrimos a mais silenciosa das verdades:
O amanhã chegou — mas aquilo que queríamos já não está mais lá.
