Crônica O bípede Se Darwin tivesse... Raimundo Grossi
crônica
O bípede
Se Darwin tivesse frequentado uma academia, certamente teria dito: “não foi o cérebro que nos trouxe até aqui, foram as pernas”. Porque convenhamos: o ser humano só virou gente mesmo quando resolveu largar as quatro patas e confiar tudo em dois membros inferiores que, até hoje, carregam o corpo, a dignidade e o supermercado inteiro morro acima.
Os membros inferiores são os verdadeiros heróis anônimos da evolução. Enquanto os braços se ocupam em rolar o feed, segurar o controle remoto ou levantar um copo de café, as pernas fazem o trabalho pesado: sustentam a maior parte da massa muscular do corpo, mantêm o equilíbrio e ainda evitam que a gente abrace o chão sem querer. É por isso que, na musculação, elas exigem respeito. Agachamento não é castigo divino, é gratidão evolutiva. Especialmente nos idosos, pernas fortes são sinônimo de independência: menos quedas, mais autonomia e menos histórias começando com “eu só fui pegar um copo d’água…”.
Ignorar os membros inferiores é como trocar o pneu do carro e esquecer o motor. Não adianta bíceps inflado se a perna falha na primeira calçada irregular. A verdade é dura (como o treino de pernas): fomos feitos para andar, não só para posar. Então, da próxima vez que pensar em pular o dia de pernas, lembre-se — foi graças a elas que você chegou até a academia… e não rastejando como um ancestral ressentido.
