Eles sempre souberam. O silêncio entre... A.M

Eles sempre souberam.
O silêncio entre os dois não era vazio — era desejo contido, era o medo disfarçado de prudência, era a paixão crescendo devagar até virar amor sem nunca receber esse nome. Olhares demorados, sorrisos interrompidos, despedidas que doíam mais do que deveriam. Nenhum dos dois se assumia, e o tempo, paciente e cruel, deixava o sentimento criar raízes.
Até o dia em que ele decidiu romper o silêncio.
Com a voz trêmula, revelou o amor que guardara por tanto tempo, acreditando que, se não dissesse, morreria por dentro. Ela ouviu… e negou. Não porque não sentisse, mas porque não teve coragem de admitir. Preferiu proteger-se atrás da negação, achando que o amor poderia esperar.
Ele saiu dali com o coração em ruínas.
No caminho de volta para casa, a noite o engoliu. Um acidente interrompeu seus passos, seus sonhos, suas palavras nunca mais ditas. Seu corpo foi encontrado ao pé de um Resedá branco, o mesmo lugar onde haviam se encontrado pela última vez — como se o destino tivesse escolhido ali o fim de tudo.
Junto a ele, um bilhete.
Nele estava escrito:
“Se um dia você ler isso, saiba que te amei em silêncio e verdade. Cada flor que cair desse Resedá serão minhas lágrimas, derramadas por não poder viver o amor que senti por você. Que o vento leve meu sentimento até onde eu não pude chegar.”
Quando ela leu, o mundo perdeu o chão.
Dias depois, voltou ao Resedá. As pétalas brancas caíam lentamente, cobrindo a terra como um luto delicado. Com os olhos marejados, ela sussurrou entre soluços:
— Então eu serei o chão onde suas flores caem… para que, ao menos assim, eu possa sentir um pouco do amor que deixei escapar… do amor que não tive coragem de viver.
E desde então, toda vez que o Resedá branco floresce, dizem que o chão ao redor parece mais fértil, mais vivo.
Como se o amor que não foi vivido tivesse, enfim, encontrado onde descansar.