O Tempo (à luz da minha vida) Poema –... Geórgia Palermo

O Tempo (à luz da minha vida)


Poema – Por Geórgia Palermo


A vida escorre pelas mãos
enquanto achamos que ainda há tempo.


Quando se vê, os dias viram anos.
Quando se vê, o cotidiano vira memória.
Quando se vê, aquele que caminhava ao nosso lado
passa a morar na saudade.


Eu amei sem pressa,
mas o tempo teve pressa demais.


Foram quase quarenta anos
de fé, amor e cumplicidade.
Uma vida construída no simples,
nos gestos pequenos,
na amizade que sustentava tudo.


Quando se vê,
o marido vira lembrança,
o pai vira exemplo,
o amigo fiel vira ausência presente.


Ele foi abrigo,
provedor,
pai maravilhoso,
amor fácil de amar.


Talvez eu nunca mais encontre
alguém tão inteiro,
tão companheiro,
tão amigo.


E então o tempo me ensinou,
da forma mais dura,
que nada deve ser adiado.
Nem o abraço.
Nem o “eu te amo”.
Nem a presença.


Hoje entendo:
o amor que foi vivido não se perde.
Ele apenas muda de lugar
e passa a viver dentro de nós.


A única falta irreparável
é a do tempo que não volta.
Mas o amor…
esse permanece.


Nota de memória:


Este poema nasce da minha própria história.
Fiquei viúva no dia 31 de dezembro de 2021, após quase seis meses de internação do meu marido, em decorrência de complicações da Covid. Foram quase 40 anos de casamento, construídos com fé, amor, cumplicidade e amizade.


Ele foi um pai maravilhoso, um provedor dedicado e um amigo fiel. Um amor fácil de amar.
Escrevo estas palavras como quem guarda aquilo que o tempo não consegue levar. 🌿🤍