Se Eu Pudesse Voltar no Tempo Se eu... Alexsandro Lucas
Se Eu Pudesse Voltar no Tempo
Se eu pudesse voltar no tempo por apenas alguns minutos…
Eu não pediria dinheiro.
Não pediria sucesso.
Não pediria uma casa maior.
Nem carros.
Nem negócios.
Eu pediria apenas mais um jantar com minha família.
Mais uma conversa sem pressa com meu pai.
Mais um abraço na minha mãe.
Mais uma oportunidade de segurar a mão dos meus filhos enquanto eles ainda eram pequenos.
Porque hoje eu entendo uma verdade que só a distância ensina:
Nós não sentimos falta das coisas.
Sentimos falta dos momentos.
Sentimos falta daquilo que não sabíamos que estava acabando.
Sentimos falta dos domingos simples.
Das refeições em família.
Das risadas sem motivo.
Dos abraços rápidos que dávamos sem imaginar que um dia custariam milhares de quilômetros de distância.
A vida passa tão depressa que, quando percebemos, a cadeira que sempre esteve ocupada está vazia.
A voz que sempre ouvimos ficou apenas na memória.
O filho que cabia em nossos braços agora cresceu.
E o tempo…
O tempo nunca volta.
Por isso eu digo:
Abrace seu pai.
Abrace sua mãe.
Abrace seus filhos.
Abrace sua filha primogênita.
Diga que ama.
Diga hoje.
Não amanhã.
Não quando tiver tempo.
Não quando as contas estiverem pagas.
Não quando a vida estiver mais tranquila.
Porque a vida nunca fica mais tranquila.
E o amanhã não pertence a nós.
Existem pessoas que dariam tudo o que possuem hoje para ouvir mais uma vez a voz da mãe.
Para sentar por cinco minutos ao lado do pai.
Para ver o sorriso de um filho pequeno correndo pela casa.
Mas não podem.
O tempo levou essa oportunidade.
E o tempo é o único ladrão que nunca devolve o que rouba.
Eu sou imigrante.
Escolhi partir para construir um futuro melhor.
Mas existe uma dor que ninguém mostra nas fotos.
Uma dor que não aparece nos carros, nas casas ou nas conquistas.
A dor de olhar para trás e perceber que aqueles que amamos continuam envelhecendo sem a nossa presença.
A dor de perder aniversários.
Momentos.
Abraços.
Pedaços da vida.
E então você entende que riqueza não é quanto dinheiro existe na sua conta.
Riqueza é ter quem abraçar quando chega em casa.
Riqueza é ouvir sua mãe chamando seu nome.
Riqueza é sentar ao lado do seu pai e ouvir histórias que você já ouviu cem vezes.
Riqueza é sua filha dizer:
“Pai, fica mais um pouco.”
Se você ainda tem seus pais, aproveite.
Se você ainda tem seus filhos perto de você, aproveite.
Se você ainda pode abraçar alguém que ama, aproveite.
Porque um dia, sem aviso, tudo isso se transformará em lembrança.
E nesse dia você perceberá que os momentos simples eram, na verdade, os momentos mais valiosos da sua vida.
Ame mais.
Perdoe mais.
Abrace mais.
Esteja presente mais.
Porque no final, quando tudo passar, não serão os bens que aquecerão seu coração.
Serão as memórias.
E as memórias mais bonitas nascem dos abraços que tivemos coragem de dar enquanto ainda havia tempo.
