E eu que fiquei procurando explicação... Carolaine
E eu que fiquei procurando explicação em lugares errados, achei que fosse admiração porque você parecia carregar o mundo sem demonstrar o peso, parecia um super-herói aos meus olhos, pra mim foi como um anjo que veio na minha vida, o encanto existe em pessoas que atravessam uma sala e mudam a temperatura do ambiente, pura loucura, mas aí achei que fosse costume porque sua presença começou a fazer parte dos meus dias sem que eu percebesse, mas nenhuma dessas respostas sobrevivia quando a madrugada chegava, porque nenhuma delas existia resposta por tamanha admiração que não deixava o meu peito vazio depois de uma despedida comum.
E você foi me encantando, transformou uma simples mensagem em acontecimento, virando costume que não faz alguém permanecer nos pensamentos quando tudo já deveria ter terminado ( zerando minha consciência, pra só existir você), então eu inventava desculpas, centenas de centenas delas, para que uma delas me impedisse de admitir o que estava crescendo em silêncio , silêncio de sala vazia, silêncio que nem o apocalipse gostaria de ouvir, silêncio que vira loucura somente por escutar, enquanto isso, a vida seguia acumulando pequenas crueldades.
Você sorria, eu guardava
Você falava, eu lembrava
Você desaparecia por algumas horas, dias ou até mesmo por semanas, e eu sentia sua falta, sofrendo calada sem você saber que gritava pedindo pra você está aqui.
E algo dentro de mim caminhava pelos corredores da ausência como quem procura uma porta de saída em um lugar sem saída, o pior é que ninguém percebia, porque certas tempestades aprendem a chover para dentro, foi assim meu amor por você, tudo por fora, parecia intacto, por dentro, existia uma cidade inteira iluminada pelo mesmo nome.
E eu odiava isso, odiava a facilidade que me fazia sentir, odiava que você ocupava espaço que não deveria ser ocupado, odiava o modo como qualquer canção encontrava uma maneira de me devolver para você, odiava perceber que algumas pessoas passam pela nossa vida enquanto outras se instalam nela.
Você se instalou, nos detalhes, nos intervalos, nas partes que eu jamais ofereci a ninguém, e quando finalmente compreendi o que estava acontecendo, já era tarde.
Porque não existe defesa contra alguém que virou refúgio antes mesmo de virar realidade.
Foi quando surgiu o medo, não de te perder, pois pra perder, primeiro é preciso possuir e você nunca foi e nunca será meu, logo eu que nunca tive nada, apenas um medo de continuar carregando tudo isso sem saber onde colocar, por não saber amar pouco e amar você foi amar aos berros, senti medo de assistir você seguir por estradas onde eu não existo, medo de descobrir que o universo foi generoso o suficiente para me fazer sentir algo raro, mas não o bastante para permitir que fosse correspondido.
Então fiquei aqui esperando, e entre a esperança e o impossível o possível pra mim nunca existiu, entre a coragem e o silêncio eu era a mais covarde e muda, entre a vontade de dizer e o receio de estragar, até minha respiração já faz tudo pra estragar, mas porque algumas verdades parecem pássaros presos na garganta.
Tentam voar, tentam nascer, tentam escapar, tentativas fracassadas, encontrando grades feitas de incerteza.
E mesmo assim? Mesmo sem promessas, mesmo sem garantias, mesmo sem saber se algum dia você enxergará tudo aquilo que escondo, existe uma parte de mim que continua escolhendo você e que vai continuar escolhendo para todo o sempre e pra sempre, foi o juramento que te fiz, quando não podia ouvir .
Eu sei não tem lógica, mas não é por lógica não é por conveniência, nem por falta de opção, foi por escolha que meu coração reconheceu algo genuíno e não encontrou em mais ninguém, algo que não sei explicar, algo que não sei curar, algo que continua vivo mesmo quando tentei abandonar, como uma luz que insistente em ascender na última janela de uma cidade adormecida.
Esperando, esperando, sempre esperando sem saber se irei ter resposta recíproca, mas ainda te esperando.
