Cidade em Suspenso A cidade acende e me... Dvinicius

Cidade em Suspenso


A cidade acende e me apaga
No reflexo frio dos semáforos
Cada janela parece uma pergunta
Cada esquina, um rascunho do que sou
Eu caminho entre ruínas discretas
De promessas, vitrines e sinais
O concreto me ensina a dúvida
E a dúvida me ensina a ir além
Quem desenha o mapa da pressa?
Quem decide o valor do silêncio?
Se o futuro mora no relógio
Por que eu sempre vivo no intervalo?
Tem uma fome antiga no asfalto
E um eco que não sabe se responde
Eu carrego a noite no bolso
Como quem guarda o que não se esconde
O que é chegar, afinal,
Se toda chegada já vira partida?
O que é ser inteiro na cidade
Que nos pede versões resumidas?
Se eu me perco, é por lucidez
Se eu me calo, é pra ouvir melhor
No meio da fumaça e do ruído
Ainda existe um nome para o sol
E eu sigo, porque seguir também é verbo
Porque parar parece uma forma de cair
Porque talvez a verdade more
No movimento de não se definir


Daniel Vinicius de Moraes