São tantas caixas reviradas, momentos,... Ana Caroline da Cruz...

São tantas caixas reviradas,
momentos,
um passado.


Uma construção de história.
A minha história.


Que não terminou.
Eu continuo aqui.


E, mais uma vez, eu recomeço,
vestida com minha coragem,
mas cercada de medos.


Eu existo.
Tudo passa.
E eu sinto…


O segredo é sentir.
Só sentindo
que transformo.


E eu tô aqui,
vivendo sem esquecer
de tudo que foi.


Faz parte da minha construção.
Ela estava forte o suficiente
para suportar.


Eu sigo aqui,
esperando ansiosamente
por mais um capítulo
da minha história.


Só que agora é diferente.


Hoje eu escrevo em linhas.


Em algum momento, eu…


Eu conquistei esse direito.
Ninguém me negou isso.
Eu só não estava desperta
o bastante para perceber.


Eu achei que era assim.


Um dia conversei com a vida,
e ela me contou
a sua história…


E foi aí que eu percebi.


Não tinha nada que me prendia,
além do espaço que
eu mesma criei.


Um espaço seguro,
tão seguro quanto
o próprio gato de Schrödinger,
que se permitia coexistir…


Um dia o espaço colapsou,
e eu transbordei.


Transbordei feito um rio
represado em emoções.


E hoje percebo
o quão grandioso é ser rio
e poder transbordar.


Eu sou natureza viva.
Eu posso fluir.


E, quando a gente descobre isso,
o ritmo ajusta o fluxo
e a água escoa livremente
no tempo…


E, assim como o rio,
a vida segue em fluidez constante.


As circunstâncias nunca se repetem,
e hoje agradeço…
Pela inevitável transformação,
que pede silêncio para florescer.


25/05/2026
Ana Caroline Marinato