Para meu amado Kayo Filadelfo, Muito... Sunsetz

Para meu amado Kayo Filadelfo,




Muito provavelmente você nunca lerá isso, mas talvez algumas despedidas precisem existir mesmo sem destino, porque o coração não suporta carregar certas palavras em silêncio para sempre.


Demorei para entender que algumas pessoas não vão embora de uma vez. Primeiro, elas vão desistindo aos poucos. Em silêncio. Em pequenas feridas que fingimos não perceber.


E eu fui isso para você.


Uma tempestade em cima de alguém que só queria ficar.


Hoje eu entendo que o amor não acabou quando eu parecia fria. Ele só ficou perdido dentro de mim, soterrado por traumas, orgulho e medos que eu nunca soube explicar. Eu te amava, Kayo… mas amava como alguém que aprendeu a se defender antes mesmo de ser ferida.


Então eu implicava.
Me afastava.
Endurecia o olhar.
Transformava carinho em irritação.
E fazia você pagar por guerras que nunca começaram em você.


Passei tanto tempo tentando parecer forte, tentando não demonstrar o quanto você me atingia, que acabei destruindo a única coisa que eu queria proteger: nós.


E Deus… como eu me arrependo.


Me arrependo das respostas frias.
Das vezes em que fiz você se sentir insuficiente.
Das vezes em que você só queria amor e recebeu meu caos.


Você tentou ficar, Kayo.
Você tentou tantas vezes.


E talvez eu tenha percebido tarde demais que algumas pessoas não vão embora de repente, elas apenas cansam de lutar sozinhas.


O mais cruel é perceber que, enquanto você tentava cuidar de nós, eu destruía tudo sem perceber. Como alguém que coloca fogo na própria casa porque não acredita merecer abrigo.


Passei meses dizendo a mim mesma que não me importava.
Passei meses fingindo que sua falta não ecoava dentro de mim.
Mas algumas saudades não gritam de imediato, elas amadurecem devagar dentro do peito até virar ausência em tudo.


E hoje eu sei:
eu te amei.


Amei de uma forma torta.
Defensiva.
Assustada.
Mas amei.


Talvez tarde demais para você.
Talvez cedo demais para mim mesma.


Às vezes eu queria te ligar só para dizer que sinto muito. Dizer que por trás do meu orgulho existia uma garota que te amava profundamente e não sabia demonstrar. Uma garota que sentia sua falta mesmo enquanto fingia indiferença.


Hoje, quando penso em você, não penso apenas no homem que partiu. Penso em todas as vezes que você tentou me amar enquanto eu lutava contra mim mesma.


E eu queria voltar.
Voltar para cada momento em que escolhi o orgulho ao invés do afeto.
Voltar para cada instante em que endureci o coração só para não admitir o quanto você era importante para mim.


Mas algumas perdas não voltam.
Elas apenas permanecem dentro da gente como um eco.


Talvez essa seja minha forma de te amar pela última vez:
sendo honesta.


Eu sinto muito, Kayo.
Sinto muito pelas feridas.
Pela confusão.
Pela frieza.
Por ter te feito sentir sozinho enquanto segurava minha mão.


E mesmo que hoje você já pertença a uma vida onde eu não existo mais…
uma parte minha ainda sussurra seu nome com a mesma ternura de antes.


Adeus, meu amor.


Espero que a vida te abrace da forma que eu não consegui.