No varal da manhã o sol pendura pressa,... Cary Bertazzoni
No varal da manhã
o sol pendura pressa,
o café esfria aos poucos
entre mensagens e promessas.
A cidade acorda em passos,
ônibus, buzinas, sinais,
cada rosto carregando
tempestades pessoais.
Tem quem sorria no automático,
quem esconda o cansaço no olhar,
quem encontre um minuto de paz
vendo a chuva começar.
O cotidiano faz barulho,
mas acontece devagar:
na música tocada
num abraço não dado
na saudade que aparece
sem pedir licença pra ficar.
E mesmo nos dias iguais,
onde nada parece mudar,
a vida costura pequenos milagres
nos detalhes que ninguém vê passar.
