E então...hoje é meu aniversário.... Gabb

E então...hoje é meu aniversário. Um dia que, para muitos, é algo para celebrar. Mas para mim, é apenas um lembrete cruel do tempo que insiste em passar, mesmo quando eu não quero. Nunca gostei dessa data, mas neste ano ela pesa ainda mais. É o primeiro aniversário depois da separação dos meus pais, o primeiro aniversário em que minha família não existe mais
Não que antes fosse unida de forma verdadeira, mas havia pelo menos a ilusão de um corpo inteiro, um frágil tecido que, mesmo rasgado, ainda conseguia cobrir o vazio. Agora, nem isso. A casa parece maior, mais silenciosa, como se cada parede tivesse aprendido a guardar segredos e ausências de cada um.
Sinto que perdi não apenas a família, mas também a ilusão de que, de alguma forma, eu fazia parte de algo. Hoje, não há bolo que disfarce, não há vela que ilumine. Só há o peso da solidão, o eco das lembranças e a certeza de que aniversários não são feitos para mim.
Me sinto como uma vela acesa em um quarto vazio, há chama, mas não aquece ninguém. O silêncio pesa mais do que qualquer palavra, e a lembrança é como um curativo que não cura nada.
É estranho: dizem que aniversários são sobre vida, mas o que eu sinto é apenas a lembrança de tudo que se quebrou.
Sou feita de pedaços, e neste dia, percebo que até a minha própria história se recusa a ser inteira.
