Com tanta má-fé se valendo do nome... Alessandro Teodoro

Com tanta má-fé se valendo do nome de Deus — invocá-Lo publicamente, em breve, causará mais Dúvida que Devoção.
Quando o Sagrado vira instrumento, ele deixa de elevar e passa a encobrir.
Palavras que deveriam consolar, orientar e transformar, tornam-se escudos retóricos, usados para blindar interesses ocultos, justificar excessos e maquiar as más intenções.
Não é a fé que se esvazia por si só — é o uso indevido dela que corrói sua credibilidade diante dos olhos atentos e, sobretudo, dos decepcionados.
A repetição desse gesto — invocar Deus em vão, em discursos vazios de prática — cria um ruído muito perigoso: quanto mais se fala em nome d’Ele, menos se percebe Sua presença nas atitudes.
E então nasce a dúvida…
Não a dúvida honesta, que busca compreender, mas a desconfiança cansada, aquela que já não acredita.
A fé, que deveria ser ponte, passa a parecer palco.
E quem assiste, pouco a pouco, se afasta.
E se continuarmos dando palco aos que usam o nome d’Ele e da Igreja para se esconder, aparecer e se promover, muito em breve seremos os culpados por um fenômeno ainda mais grave: transformar o Livro mais lido e menos vivido no mais evitado do mundo.
Porque não há nada mais contraditório do que uma mensagem de amor sendo transmitida por atitudes de vaidade, exclusão ou manipulação.
A incoerência não apenas enfraquece o discurso — ela o invalida.
E quando isso se repete o suficiente, o problema deixa de ser quem distorce e passa a ser também quem assiste, aplaude ou silencia.
Talvez o maior risco não seja a perda da fé, mas a banalização dela.
Quando tudo se diz em nome de Deus, nada mais parece vir verdadeiramente d’Ele.
E nesse excesso de vozes, a essência — silenciosa, exigente, transformadora — vai sendo soterrada.
Resgatar o sentido do sagrado talvez exija menos declarações públicas e mais coerência privada.
Menos exposição, mais vivência.
Porque a fé que resiste não é a que se impõe em vozes estridentes, mas a que se revela, discretamente, naquilo que se faz quando ninguém está olhando.
