Negatividade como força vital.... Weslley Marcelo Massako...

Negatividade como força vital.


“Emoções negativas, pensamentos pessimistas ou reconhecimento de riscos podem ter um lado útil e funcional, desde que não seja crônica ou paralisante.”
As emoções negativas são essenciais para a sobrevivência humana. Ter algo para combater aguça o nosso instinto de sobrevivência gerando ações de defesa indispensáveis à construção de um ambiente mental mais saudável.
De acordo com Byung-Chul: “Muitas das doenças psíquicas de hoje, como depressão, burnout, déficit de atenção, síndrome de hiperatividade, ao contrário, não se vê influência do processo de repressão e do processo de negação. Remetem, antes, a um excesso de positividade, portanto não estão referidas à negação, mas antes à incapacidade de dizer não, não ao não ter direito, mas ao poder tudo.”
Para a existência e manutenção da vida, os aspectos positivos e negativos são complementares, formando uma dualidade que garante o equilíbrio essencial à sustentação vital; qualquer mudança pode gerar consequências significativas.
Apresentarei observações que demonstram como a positivação do mundo moderno gera novas formas de violência, evidenciando transformações sociais e culturais relevantes.
Todos os dias, recebemos mensagens positivas que elevam e inspiram. Ouvimos dezenas de coaches que nos ensinam a melhorar, identificando nossas fraquezas. Gurus, religiosos e influenciadores de diversas áreas vendem um padrão de vida que chama atenção. Frases como "Você pode" ou "Depende de você" parecem mantras que entram na alma, fortalecendo a crença de que somos capazes. Repetir para si mesmo: "Ele é igual a mim!", “Eu consigo!” reforça essa confiança e motivação.
E em uma sociedade permissiva e pacificada, a violência da positividade não pressupõe inimizade e, em um sistema dominado por iguais não há sentido em fortalecer nossos mecanismos de defesa. Isso é de uma violência viral tamanha, pois onde não há um inimigo claro, você se torna o seu inimigo.
As redes sociais impuseram que as coisas devem ser vistas e expostas para ter valor e, consequentemente chamar atenção. Essa exposição excessiva transformou o ser humano em mercadoria. E isso fez surgir conceitos modernos de responsabilidade, iniciativa e desempenhos, ressignificando e positivando os mesmos.
Este enfoque no excesso de responsabilidade, iniciativa, pressão por desempenho, comparação e motivação pode levar muitas pessoas à depressão e ao fracasso, pois buscam padrões além de suas capacidades. Essa busca constante por perfeição e reconhecimento pode prejudicar a saúde mental e o bem-estar emocional.
Ter responsabilidade e iniciativa não o tornará doente, mas paradoxalmente você será, em uma sociedade de desempenho, agressor e vítima ao mesmo tempo. Será capaz de explorar a si mesmo sem qualquer coação. Pois a lamúria do indivíduo que se entrega dizendo que nada é possível, só se torna possível em uma sociedade que crê que nada é impossível. Isso leva a uma guerra interna, a uma autoacusação, pois em um mundo vitrine no qual todos conseguem, todos ensinam, todos são perfeitos em suas imperfeições, o errado será você se não atingir os padrões.
O excesso de positividade gera a necessidade de autoexploração para atingir os padrões que lhes são impostos e que você aceitou. E essa autoexploração caminha pari passu com o sentimento de liberdade. E essa liberdade gerará novas coações. Você se tornará um zumbi de desempenho, fitness, saudável e cheio de botox, mortos para viver e vivos demais para morrer.
Reflita: quando você é escravo de si, a exceção se estende para um estado de normalidade. Você se torna um ditador satisfeito de si mesmo.
“Se acreditásseis mais na vida, vos entregaríeis menos ao instante.” (Friedrich Nietzsche)


Pense e reflita.
Paz e Bem!
Seja grato.
Massako