A Vida ao Fundo dos Teus Olhos Amar-te... Joni Baltar
A Vida ao Fundo dos Teus Olhos
Amar-te é reconhecer
que o infinito
não vive nas estrelas, mas no intervalo entre o teu silêncio e o meu.
Quando anoitece, descubro
que o corpo também pensa,
que a pele também tem sede.
Há em nós um pensamento antigo,
como se o universo nos tivesse imaginado antes de nos encontrarmos.
E se o mundo ruísse agora,
se tudo se desfizesse em pó,
ficaria ainda este fogo
o teu, o meu, o nosso
a incendiar o que resta da noite.
No teu beijo encontro a origem,
no teu corpo a razão,
no teu olhar a prova
de que o universo não é caos
é escolha.
E eu escolho-te,
mesmo sabendo
que o amor
é sempre um risco
que vale a vida.
