Quando meu corpo perde o rumo E a dor... Tainá Wolff Bomtempo
Quando meu corpo perde o rumo
E a dor grita mais alto que a alma
Que Iansã leve com seus ventos
Toda a energia que não me pertence
Que Oxalá me envolva em seu branco
E silencie o ruído que pesa em mim
Que cada célula do meu corpo se lembre
De que sou feita de paz e respeito
Que Ogum corte com a sua espada
Laços e nós invisíveis que me prendem
E que Exu abra os caminhos do meu caminhar, removendo as pedras que castigam meus pés
Que Omulu, senhor das curas antigas,
toque em minha pele e nos meus ossos que doem
Que Nanã, senhora da lama, me faça renascer, pois foi do barro que eu vim
Que Oxum, que rege a doçura das águas, me ajude a enxergar todo o amor que eu possa reconhecer em mim
E que Oxóssi me dê a fartura da saúde, para que eu seja caçadora do futuro que eu sonho ter
Que Xangô me proteja de toda injustiça e tire o peso do meu espírito cansado
E que Iemanjá cuide da dor que o mundo não vê em mim, para que eu recomece,
sempre
Axé pra quem é de axé
Tainá Wolff Bomtempo
(Paciente fibromiálgica)
