Gota Ácida Deixei um único copo Sob a... Lucas C. Ferreira da Silva

Gota Ácida


Deixei um único copo
Sob a torneira da pia
Que pingava dia após dia,
Até vê-lo cheio pelo topo.


A água que ali transbordaria
Não seria a mesma, é notável,
Pois a cor de aspecto detestável,
Formava um verde viscoso.
E aquele cheiro oleoso
Deixava o copo, já deplorável,
Sem funções e quase descartável,
E, só de vê-lo, dava agonia.


A torneira de metal enferrujado
Fazia um som de assustar,
Pois só em abri-la pra a água pegar
Deixa o cabra agoniado.


O lodo sempre tava lá
Por mais que limpasse todo dia,
A mesma água sairia
Suja e até cada vez pior.
Agora se fosse ter dó
Do cidadão que dela bebia
Eu digo que você até poderia
No lugar dele ali morar.


A nojeira nunca esteve ali
Nos canos, no copo ou na torneira,
Mas sim na água que vinha da biqueira
E que ficava mesmo por aí.


Arrumava todo tipo de tranqueira,
Zé perneta passava o pano
Daqueles que está sujo por anos
Tentando limpar o local.
No fim ficava tudo igual
A maldita ainda continuava sujando,
Parecia até porco quando tá suando
Juntando toda aquela meladeira.


No final dos anos passados
Acabou tudo que tinha.
Tudo que dali vinha.
Não sobrou nem pra contar recado.


Botaram outra torneira novinha,
Trocaram, pia, copo, foi tudo.
Tá parecendo um absurdo
Pensar que o problema era moleza,
E no final com toda certeza
Já parecendo que eu tô maluco,
Ainda continuou escorrendo o suco,
Com aquela cor verde bem clarinha...


Alí trocaram tudo que parecia não funcionar.
Só se esqueceram da biqueira pra mudar.


Tsharllez Foucallt.