21 de março — O Evangelho Cósmico A... Michele Peruci
21 de março — O Evangelho Cósmico
A gestação.
Ó nobre peregrina,
com os pés na terra
e a alma no céu,
aprendo em ti meu nome de ponte:
pontífice, EU SOU,
entre corpo e alma,
entre os ciclos
do livro da vida
onde o teu nome se cravou.
21 de março.
O analema não é só percurso:
é encontro,
ponto de interseção,
transmutação,
o X da questão.
No centro do oito,
as camadas finas se tocam.
Ó meu nobre amor,
os opostos se encontram:
subir e descer,
céu e terra,
espírito e matéria,
visível e invisível.
No equinócio de outono,
céu e terra se casam.
O alto beija o chão.
E ali,
no silêncio exato da travessia,
o invisível vira semente.
O que desce não desaparece:
encarna.
O que some na terra
não morre apenas:
germina.
Na raiz da consciência,
há uma gestação secreta
no ventre da estação.
A terra recolhe,
guarda,
amadurece no escuro
aquilo que será luz.
De equinócio a solstício,
a Terra concebe e dá à luz.
O que fecunda em março
nasce em dezembro.
É o evangelho cósmico
escrito no corpo da Terra.
E então a humanidade reluz,
e um novo caminho
à luz a conduz.
