Às vezes me pergunto: o que poderia... PoesiaSam
Às vezes me pergunto: o que poderia fazer para lhe dizer, sem precisar pronunciar palavras, sem quebrar o silêncio nem alterar a beleza do tempo nublado de seus pensamentos?
Gostaria de encontrar um gesto,
uma ação simples, uma atitude delicada
que mostrasse que estou ali, ao seu lado.
Muitas vezes quis que ele pudesse ler meus pensamentos,
ver através da luz dos meus olhos
e saber tudo o que sinto,
que compreendo a solidão que grita dentro do seu silêncio.
Talvez, assim, sentisse menos peso no peito.
Eu também me perco em pensamentos,
em buscas, em tentativas de resolver as equações da vida.
Sinto-me só quase o tempo todo,
mesmo cercada de vozes que falam
mas não escutam de verdade.
E isso dói.
Só queria dizer, sem promessas:
eu estou aqui.
Estou aqui quando o espelho te mostra um estranho.
Estou aqui quando o passado pesa mais do que deveria.
Estou aqui quando o barulho do mundo tenta calar tua essência.
E estou aqui mesmo quando quer apenas silêncio...
Consigo ser presença sem invadir,
distância sem me ausentar.
Só quero que saiba: eu estou aqui.
Não sou resposta, nem cura.
Quero apenas ser presença, abrigo, carinho.
Sou simples, mas as vezes confusa, até um pouco estranha,
neste tempo que exige tanto.
Muitas vezes me reconheço nas personagens camponesas dos romances de Jane Austen,
como se minha alma tivesse ficado ancorada em outra época.
E se o preço do brilho for a solidão,
então quero ser a luz
pequena, suave, constante
que te lembre sempre:
você não está sozinho.
Às vezes me calo na tua presença,
não por silêncio, mas para não invadir,
para não pesar no ar que respiras,
para que teu mundo permaneça leve, suave, teu.
Sou a mesma de 2016,
a de 2025,
e aquela de outras épocas que me encontram em sonhos,
em flashes de lembranças que dançam como vento nas folhas.
Ofereço carinho onde cabe,
como luz que se derrama sem pressa,
como brisa que toca sem dominar,
como abraço que acolhe sem prender.
Sou amor, entrega e lealdade,
sigo inteira, atravessando o tempo, atravessando nós,
presente em cada silêncio,
presente em cada gesto que fala sem palavras.
