Sou forte, dizem, mas há dias em que a... Michele Canário
Sou forte, dizem,
mas há dias em que a doçura se dissolve,
o ácido escorre nas bordas do sorriso,
e eu me pergunto se sou apenas um eco.
Olho para o espelho,
encontro a fraqueza escondida,
a boba que ri sem saber,
enfiando a cara na almofada, sufocando as lágrimas.
O mundo é um lugar amplo,
mas a busca é por um canto apertado,
onde a vulnerabilidade é um segredo,
e o pranto se transforma em um mantra.
A força que carrego é um paradoxo,
uma dança entre o riso e a dor,
cada lágrima é um lembrete,
que até as rochas podem se desgastar.
Nos dias mais cinzentos,
as sombras se tornam companheiras,
e eu me pergunto se a coragem é só um disfarce,
ou se existe beleza em ser frágil.
Mas então, com o sol surgindo,
percebo que sou um misto de tudo,
forte e doce, ácida em essência,
e chorar é apenas parte da canção.
