O PASSE MAGNÉTICO NA PRÁTICA ESPÍRITA... Marcelo Caetano Monteiro

O PASSE MAGNÉTICO NA PRÁTICA ESPÍRITA E SEU FUNDAMENTO FILOSÓFICO.
O passe magnético constitui uma das práticas mais tradicionais e caritativas presentes nos Centros Espíritas. Trata se de um auxílio espiritual e energético oferecido gratuitamente, cujo objetivo é restaurar o equilíbrio do ser humano em suas dimensões física, psíquica e espiritual. A doutrina espírita compreende o homem como uma unidade complexa formada por corpo, perispírito e espírito. Quando essa harmonia se rompe, surgem perturbações que podem manifestar se como enfermidades físicas, angústias emocionais ou desajustes espirituais.
A explicação dessa prática encontra fundamento nos estudos do magnetismo humano e espiritual desenvolvidos no século XIX e posteriormente integrados ao pensamento espírita por Allan Kardec em obras fundamentais como O Livro dos Médiuns e O Evangelho Segundo o Espiritismo.
O QUE É O PASSE MAGNÉTICO.
O passe pode ser compreendido como uma transmissão de energias benéficas de uma pessoa para outra. Essa transmissão possui analogia pedagógica com a transfusão sanguínea. Assim como o sangue pode restaurar a vitalidade de um organismo debilitado, o magnetismo humano e espiritual pode revitalizar o campo energético do indivíduo que se encontra enfraquecido.
Na perspectiva espírita, muitos estados de tristeza profunda, ansiedade ou perturbação interior decorrem de desequilíbrios no campo fluídico do ser humano. O passe atua precisamente nesse campo, ajudando a reorganizar as energias e restabelecer a serenidade interior.
A NATUREZA DO MAGNETISMO.
O magnetismo é entendido como uma forma de energia vital que se expande a partir dos seres vivos. Essa energia pode ser dirigida pela vontade consciente. No momento do passe, o passista concentra se no propósito de auxiliar o necessitado. A vontade, associada à intenção moral e ao pensamento elevado, exterioriza o magnetismo que se irradia em benefício do assistido.
Essa ideia encontra fundamento na concepção espírita de fluido universal, princípio energético presente em toda a criação. Os Espíritos superiores ensinam que os pensamentos e sentimentos influenciam diretamente a qualidade dessas energias.
O PASSISTA É UM MÉDIUM.
O passista não atua como médium no sentido clássico da mediunidade de incorporação ou transe. Ele não entra em estado mediúnico de comunicação direta. Contudo trabalha em cooperação com os benfeitores espirituais que dirigem a tarefa.
Enquanto o passista oferece seu magnetismo humano, os Espíritos benfeitores acrescentam magnetismo espiritual. Dessa associação surge um campo energético mais elevado e eficiente para o restabelecimento do paciente.
O PASSE E AS ENFERMIDADES.
O passe não se limita aos problemas da alma. A doutrina espírita ensina que corpo e espírito mantêm profunda interdependência. Desequilíbrios emocionais e espirituais podem repercutir no organismo físico.
Quando alguém enfrenta tensão intensa, irritação constante ou sofrimento prolongado, pode ocorrer o que alguns autores espíritas denominam hemorragia magnética. Isso significa perda de vitalidade energética. Nessa condição o indivíduo torna se mais vulnerável tanto a doenças quanto a influências espirituais perturbadoras.
O passe atua revitalizando esse campo energético, fortalecendo a pessoa para que recupere sua estabilidade.
A IMPORTÂNCIA DA FÉ.
Nos relatos evangélicos observa se frequentemente a expressão pronunciada por Jesus. "A tua fé te salvou".
Essa afirmação não representa recompensa pela fé, mas demonstra a importância da sintonia espiritual. A fé funciona como elemento de abertura interior. Quando a pessoa confia e se coloca em atitude receptiva, estabelece se uma ligação mais profunda com as energias benéficas transmitidas.
Sem essa disposição interior, a eficácia do auxílio torna se mais limitada.
A POSTURA DO PACIENTE.
Durante o passe recomenda se que o assistido permaneça em atitude de recolhimento e oração. A oração eleva o pensamento e facilita a ligação com os benfeitores espirituais.
Outro elemento relevante é o merecimento moral. A doutrina espírita recorda o princípio ensinado por Jesus. "A cada um segundo suas obras". Os pensamentos, sentimentos e atitudes cultivados na vida cotidiana influenciam diretamente a capacidade de receber auxílio espiritual.
O PASSE E AS CAUSAS DO DESEQUILÍBRIO.
O passe pode aliviar e revitalizar, mas não substitui a transformação moral. Se alguém sofre repetidas perdas de energia devido a hábitos negativos como irritação constante, orgulho ou ressentimento, o efeito do passe tende a ser apenas temporário.
Assim como a medicina não se limita a transfusões quando existe uma hemorragia interna, também o tratamento espiritual exige mudança interior. O verdadeiro restabelecimento nasce da reforma moral.
A ATITUDE DIANTE DAS DIFICULDADES DA VIDA.
A doutrina espírita ensina que os problemas cotidianos fazem parte da experiência humana. O sofrimento não nasce apenas das circunstâncias externas, mas principalmente da maneira como reagimos a elas.
Quando cultivamos compreensão, tolerância, paciência e caridade, preservamos nosso equilíbrio energético. Esses valores foram insistentemente ensinados por Jesus e constituem verdadeira profilaxia espiritual.
A prática do passe, portanto, não é um recurso mágico. Ela integra um processo maior de crescimento moral, equilíbrio emocional e disciplina espiritual.
Essas explicações são apresentadas de forma clara na obra Mediunidade Tudo o que Você Precisa Saber do estudioso espírita Richard Simonetti, que sistematiza os princípios do magnetismo à luz da doutrina espírita e da experiência das Casas Espíritas.
CONCLUSÃO.
O passe magnético representa um ato de fraternidade espiritual. Nele se unem três elementos fundamentais. A boa vontade do passista. A assistência dos benfeitores espirituais. E a receptividade moral daquele que recebe o auxílio.
Quando esses elementos harmonizam se, estabelece se um verdadeiro intercâmbio de energias regeneradoras. Nesse momento silencioso de oração e caridade manifesta se uma das mais belas expressões do cristianismo vivido. A cura profunda começa sempre no interior da alma.