⁠Comprova-se que a Polarização é o... Alessandro Teodoro

⁠Comprova-se que a Polarização é o Distúrbio Comportamental mais Medonho, ao vermos Mortos desejarem a morte do outro. Não mortos de carne e osso, mas de espíri... Frase de Alessandro Teodoro.

⁠Comprova-se que
a Polarização
é o Distúrbio Comportamental mais Medonho, ao vermos Mortos desejarem
a morte do outro.


Não mortos de carne e osso, mas de espírito — gente que já não se escuta, não duvida, e nem pondera.


Caminham, falam, digitam, protestam, gritam… mas a vida interior já se ausentou faz tempo.


A morte mais perigosa é justamente essa: a que preserva o corpo, mas abandona a consciência.


A polarização tem essa habilidade sinistra de transformar diferenças em trincheiras e adversários em inimigos absolutos.


Nela, o outro deixa de ser alguém a ser compreendido e passa a ser apenas um obstáculo a ser eliminado — ainda que simbolicamente.


Assim, pouco a pouco, o debate vira linchamento moral, e a divergência, licença poética para desejar o fim de quem pensa diferente.


E o mais curioso é que quase todos os que entram nesse jogo acreditam estar defendendo algo nobre: a justiça, a verdade, a salvação do país, da moral ou do futuro.


Mas quando o desejo pela destruição do outro passa a ser celebrado, já não se está defendendo nada — apenas revelando o tamanho do vazio que a própria ilusão de convicção deixou.


A polarização não mata apenas a convivência; ela sepulta a possibilidade de humanidade no olhar.


Porque quem se alegra com a desgraça alheia e se acostuma a desejar a morte do outro, ainda que em palavras, já deixou morrer dentro de si aquilo que torna qualquer sociedade possível: a capacidade de reconhecer vida além das Diferenças.


Talvez por isso o espetáculo seja tão perturbador: vemos Doentes discutindo quem merece adoecer — e Mortos, quem merece viver.


E nessa disputa tão sombria, quase ninguém percebe que o primeiro funeral já aconteceu — o da Sensatez.