Com a caneta ao alcance das mãos,... Alessandro Teodoro

Com a caneta ao alcance das mãos, vendia Bravura de Leão; contrariado e sem ela, tenta entregar a famigerada e esperada Fragilidade de Ursinho de Pelúcia.
Muito poucos ingredientes descaradamente fabricados são tão poderosos no medonho ofício do sequestro mental quanto a Virilidade e a Fragilidade.
É a mobília quase perfeita para ornar cabeças disponíveis.
Porque, quando bem manipuladas, essas duas peças emocionais dispensam quase todo o resto.
A Virilidade inflada promete coragem, autoridade e destino; a Fragilidade encenada implora proteção, indulgência e absolvição.
Entre uma e outra, o espetáculo quase sempre encontra plateia: uns seduzidos pela fantasia da força incontestável, outros comovidos pela coreografia da vulnerabilidade conveniente.
Não é preciso muita sofisticação para que esse teatro funcione — basta que a plateia esteja cansada de pensar por conta própria.
A mente fatigada prefere personagens claros a pessoas complexas; prefere símbolos fáceis a verdades difíceis.
Assim, a Bravura vira figurino e a Fragilidade vira estratégia.
E quando essas duas fantasias ocupam o palco simultaneamente, quase ninguém percebe que o enredo real foi discretamente retirado de cena.
O debate deixa de ser sobre caráter, responsabilidade ou coerência, e passa a ser sobre quem parece mais forte… ou quem parece mais ferido.
No fim, não se sequestra apenas a mente — sequestra-se também a medida real das coisas.
E, quando isso acontece, até a caneta deixa de ser instrumento de pensamento para virar apenas mais um adereço na encenação.
“Coitadinho do imbrochável!”
