Seria Humanamente Impossível julgar... Alessandro Teodoro

Seria Humanamente Impossível julgar alguém com tanta facilidade e rigidez, sem togar-se da santidade moral fabricada.
Porque o julgamento apressado quase nunca nasce da justiça — nasce da necessidade de se sentir acima dos outros.
Quando a consciência não suporta o peso das próprias contradições, ela aprende um truque antigo: apontar para as falhas alheias com a solenidade de quem acredita estar se purificando.
É uma liturgia silenciosa, onde a toga não é de magistrado, mas de uma santidade improvisada.
Essa santidade, porém, não é virtude — é armadura.
Ela protege o indivíduo do incômodo de reconhecer que carrega dentro de si as mesmas podridões que condena nos outros.
Julgar com rigidez torna-se, então, um atalho psicológico: condena-se o outro para evitar o trabalho de compreender a própria humanidade.
Talvez por isso o tribunal moral seja sempre tão lotado e tão raso.
Ali, a pressa substitui a escuta, a certeza ocupa o lugar da dúvida, e a complexidade humana é reduzida a veredictos simples demais para serem honestos.
No fundo, quem se veste dessa santidade fabricada não se interessa na verdade sobre o outro, mas na absolvição de si mesmo.
Porque compreender exige humildade, enquanto julgar exige apenas um pedestal — e algumas pessoas passam a vida inteira acreditando que a altura do pedestal é prova de caráter, quando muitas vezes é apenas a distância que escolheram manter da própria consciência.
