A fala presa desapricionada: Quando dos... Marcos Braga
A fala presa desapricionada:
Quando dos teus lábios
escapou o sussurro do “eu te amo”,
o mundo silenciou por um instante
e o meu coração, em sobressalto,
acendeu-se inteiro.
Era a mesma palavra
que em minha garganta morava,
presa, tímida,
esperando coragem para nascer.
Olhar-te nos olhos
e ouvir-te repetir —
foi como se o tempo se abrisse
em flor diante de nós.
Meu corpo te quis com mais urgência,
mas já não era só desejo:
era a sede do infinito
contida num instante,
a promessa de um abraço
que atravessa o tempo.
Então deixei partir o que guardava,
e minha voz, feita de coração,
ecoou sem medo:
eu também te amo.
E desde esse momento
a alegria fez morada em mim —
clareou meu dia inteiro
e há de permanecer,
por muitos e muitos dias,
sendo você
o motivo sereno
da minha felicidade.
