“Dvi Rupa Atman” Embora seja... Hari Kirtan Lira Fernandes
“Dvi Rupa Atman”
Embora seja inacreditável, percebo com clareza as divisões do ser. Agora incrédulo, imagino e corporizo a essência humana em sua fragmentação. Uma confusão presente na raiz da alma marca as escolhas. Choro minha face concreta ao ver o que está por trás dos olhos; desespero incorpóreo e vazio, assim como a matéria primordial. Sem forma ou energia, apenas potência inerte. Já houve um tempo em que o corpo era certeza, mas se esvaiu postumamente à inocência.
A divisão não é simples, mas pode ser compactada. De um lado está o primogênito, do outro, a caçula. Sou o primeiro, essencialmente, mas a outra é mais forte. Então escolho: transmuto o tempo de um para o encontro do outro.
Hei de escolher? Cada tempo é novo ser, mas, em um, sou triste, pois me falta o outro. O que farei enquanto os cantos agudos arredondam no oposto, os espinhos se curvam à pele e o vórtice vitrificado reduz? O brilho me afaga, mas, afinal, quem me é? Encantada levanta a mão; Desgrenhado, à prontidão. À custo de ser, morro; mas hei de fundir as metades.
