Culpa A culpa não chega gritando. Ela... Juliana Vitoria - Psicologia

Culpa


A culpa não chega gritando.
Ela sussurra.


Surge como um pensamento repetido na madrugada:
“Eu deveria ter feito diferente.”
E quanto mais essa frase ecoa, mais ela pesa.


Não é apenas o que aconteceu que dói é a história que eu conto sobre o que aconteceu. Quando transformo o erro em sentença, a dor se amplia. Quando digo a mim mesma “eu estraguei tudo”, começo a acreditar que sou maior do que o próprio erro. E então a culpa deixa de ser um sentimento e vira identidade.


Mas se eu paro por um instante…
Se eu respiro…


Talvez eu consiga enxergar que, naquele momento, eu estava tentando sobreviver com os recursos que tinha. Talvez estivesse cansada demais, confusa demais, ferida demais para escolher melhor. Nós decidimos a partir do que conseguimos ver e às vezes nossa visão está turva.


O passado não pode ser reescrito.
E lutar contra isso só me aprisiona mais.


A maturidade começa quando eu escolho olhar para o que foi feito sem fugir. Quando reconheço:
“Eu errei.”


Sem justificar.
Sem dramatizar.
Sem me destruir.


Errar não me transforma em erro.
Significa apenas que sou humana.


Hoje, talvez o mais difícil e o mais libertador seja dizer:


“Há consequências. E eu vou encará-las.”


Não tenho poder sobre ontem.
Mas tenho responsabilidade sobre agora.