Enquanto para uns, o que dói é a... Alessandro Teodoro

Enquanto para uns, o que dói é a finitude da vida, para outros, o que alivia é a finitude das dores.
Para uns, a morte é a grande inimiga — a interrupção brusca dos planos, dos afetos, dos sonhos ainda inacabados — para outros, ela surge como um descanso prometido, quase um silêncio misericordioso depois de longos e exaustivos gritos.
Há quem tema a finitude da vida porque ama intensamente o que tem, o que construiu, o que viveu e o que ainda espera viver.
Para esses, cada despedida é um rasgo, cada adeus é uma mutilação do possível.
A morte representa a perda de tudo: das mãos que se tocam, das conversas inacabadas, dos abraços que ainda poderiam ser dados.
É o fim das oportunidades de amar mais uma vez.
Mas há também quem, exausto de carregar dores que não cessam, encontre na ideia da finitude um alívio secreto.
Não porque despreze a vida, mas porque já não suporta a forma como ela se apresenta.
Para esses, a morte não é vista como roubo, mas como cessação.
Não é a perda de tudo — é o fim de tudo o que dói.
É o apagar de uma chama que já não aquece, apenas queima.
E aí reside o grande paradoxo da existência: a mesma morte que para uns é tragédia absoluta, para outros é libertação imaginada.
Ela é, simultaneamente, ausência e descanso; ruptura e cessação; perda e alívio.
Talvez isso revele menos sobre a morte e mais sobre a forma como estamos vivendo.
Porque, quando a vida é experiência de sentido, a finitude assusta.
Mas quando a vida se torna apenas resistência, a finitude seduz.
No fundo, não é a morte que muda de significado — é o peso que carregamos enquanto respiramos que redefine o que ela representa.
E talvez a tarefa mais urgente e necessária não seja discutir a morte, mas aprender a tornar a vida menos insuportável para quem já não a reconhece como lar.
