O FILHO DIFÍCIL É A MISSÃO MAIS ALTA... Marcelo Caetano Monteiro
O FILHO DIFÍCIL É A MISSÃO MAIS ALTA DO CORAÇÃO.
No horizonte doutrinário do O Evangelho segundo o Espiritismo, especialmente no capítulo XIV, encontra-se uma das mais belas a e sublimes advertências acerca da maternidade e da paternidade. Ali se afirma que os laços de família não são fruto do acaso biológico, mas dispositivos pedagógicos da Lei Divina, destinados à reparação, ao aperfeiçoamento e à reconciliação das almas.
O chamado “filho difícil” não constitui um erro da Providência. Constitui, antes, um compromisso espiritual.
Segundo a doutrina Espírita , os Espíritos renascem no seio das famílias por afinidade ou por necessidade de reajuste. No item 9 do referido capítulo, lê-se que muitas vezes os filhos são Espíritos simpáticos, atraídos pela harmonia moral. Porém, em outras circunstâncias, são Espíritos que necessitam de disciplina, de amor firme e de direção segura para vencer inclinações inferiores oriundas de existências pretéritas.
A dificuldade, portanto, não é castigo. É oportunidade educativa.
O filho que desafia, que contradiz, que fere pela ingratidão ou pela rebeldia, pode ser justamente aquele cuja alma foi confiada à autoridade moral dos pais para que estes o auxiliem na reconstrução de si mesmo. A pedagogia espírita não é permissiva. É moral. Educar é amar com lucidez. Amar não é ceder à fraqueza, mas sustentar princípios.
Quando o texto evangélico afirma que “um de nós dois é culpado”, não está lançando condenação, mas convocando à responsabilidade. Se o filho erra, cabe aos pais examinar se faltou orientação, exemplo, vigilância ou coerência. Se o filho persevera no erro apesar de todos os esforços, resta a consciência tranquila de quem cumpriu o dever.
A psicologia moral da doutrina ensina que tendências negativas não surgem do nada. São reminiscências do passado espiritual. Contudo, essas inclinações não são fatais. A educação, entendida como formação do caráter e disciplina do sentimento, é instrumento de transformação. A família é oficina de almas.
Conquistar o filho difícil significa estabelecer autoridade sem violência, diálogo sem permissividade e amor sem complacência com o erro. Significa compreender que o afeto verdadeiro não é sentimentalismo frágil, mas força orientadora.
Aquele que mais exige de nós é, muitas vezes, aquele que mais necessita de nós.
Sob a ótica espírita, a missão dos pais é cooperar com a Lei de Progresso. A rebeldia do filho pode ser prova para os pais. A firmeza dos pais pode ser salvação para o filho. Ambos crescem no embate moral.
Não se trata de dominar uma personalidade, mas de auxiliar uma consciência.
Assim, quando surge o filho difícil, não se deve perguntar “por que comigo”, mas “para que comigo”. Essa mudança de perspectiva desloca a dor para o campo do sentido.
Na visão espírita, a família é santuário e escola. Ali se resolvem débitos do passado e se semeiam virtudes para o futuro. O filho que parece obstáculo pode ser a mais elevada convocação à maturidade espiritual dos pais.
Conquistar esse filho é conquistar a si mesmo.
E na fidelidade ao dever, mesmo quando o coração sangra, encontra-se a verdadeira vitória moral da alma.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
