Os homens, limitados pelo olhar... Roma Benassi

Os homens, limitados pelo olhar imediato, julgam pelo que é visível: cargos, gestos, palavras bem ensaiadas e rituais cumpridos. O valor do serviço, para eles, costuma medir-se pela forma, pela aparência e pelo reconhecimento público. No entanto, esse olhar não alcança o que verdadeiramente sustenta a ação: a intenção que a move.

Deus, por sua vez, não se detém na superfície. Seu olhar atravessa o ato e repousa no coração de quem o realiza. Um serviço simples, feito com amor e verdade, pesa mais do que grandes obras vazias de sentido. Onde há sinceridade, humildade e entrega, ali o serviço se torna sagrado, ainda que invisível aos olhos do mundo.

Essa diferença de olhares convida à autenticidade. Servir não é representar um papel, mas expressar quem se é. Quando o coração está alinhado com o bem, o gesto mais pequeno torna-se eterno. Assim, não se trata de parecer justo, mas de ser íntegro; não de impressionar os homens, mas de responder, em silêncio e verdade, ao olhar que vê tudo por dentro.