Pós-Cappuccino ou A Batalha... Bruno Michel Ferraz Margoni

Pós-Cappuccino
ou A Batalha Peristáltica
no Sentido Hânus
(Michel F.M.)

Numa radiante abafada vulcânica manhã,
Após dias de ausência por parte das fibras,
A prisão de ventre, é a forma mais cruel
De encarceramento.

Liquidado o último prato sujo,
Pia molhada vazia,
Louça úmida,
Secava.

Fui ao toillet,
Enviei um torpedo plutônico, de proporções soviéticas,
Dispositivo barulhento,
Emitindo sons ridículos e aromáticos.

Esta mensagem não seria correspondida,
A descarga emocional contida nela
Era singular
E jamais se repetiria,
Em igual magnitude;

O desafortunado papel de péssima qualidade castigado,
Despencou no receptáculo derradeiro;

As pantalonas decolaram,
Até ganhar estabilidade, no cinto afivelado.

Seria até mesmo poético,
Se não fosse o fedor putrefato,
De molho à bolonhesa,
Com gás mostarda.

Mas enfim,
Nem sempre poesia cheira bem.

E com relação ao mecanismo de ejeção,
Fidedigno profissional da logística;
Remessa enviada com sucesso.

Agora caberia aos recursos naturais
Cumprirem seu ofício,
Fazendo a recepção,
Servindo como destinatários.

Era uma manhã de terça,
Recordes pulverizados na maratona.
Como de costume,
Eu estava propositalmente atrasado.

(Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos)