Me disseram que eu sou um farol, que... Eduarda Leite Costa Martins

Me disseram que eu sou um farol,
que guia os barcos, mas se mantém sempre em movimento.
Que um farol não fica parado.
Ele gira.

E que quando a luz não está refletindo na direção do barco,
ele precisa seguir em frente, sem medo e sem mudar o rumo.

Porque, na ausência de luz
quando o barco está no escuro
ele precisa lembrar que o farol continua lá.

Mesmo que não consiga enxergar a luz.

Eu sou guia.
Mas também sou movimento.
Também sou individualidade.

E quando minha luz não está apontada para um barco,
não é abandono.

É apenas o meu movimento natural.

Eu continuo sendo luz.
Só não posso parar de ser eu.